Tiago Gomes atua como consultor em compliance, auxiliando empresas a alinhar
práticas a normas nacionais e internacionais. Nesta entrevista, ele compartilha
bastidores da rotina, destaca o papel da diversificação de riscos e revela
aprendizados que mudaram sua abordagem em ambientes regulados.
Como é um dia típico de um consultor em compliance?
O trabalho de consultoria em compliance exige atualização constante. O dia
começa analisando mudanças regulatórias recentes e avaliando os processos
internos de clientes. A rotina inclui reuniões com equipas de diferentes setores
para garantir que práticas estejam alinhadas com normas vigentes. Comunicação
eficiente é indispensável, pois muitas vezes é necessário traduzir exigências
técnicas para realidades operacionais. Flexibilidade e antecipação são
fundamentais: mudanças surgem rápido e precisam ser absorvidas sem prejudicar a
atividade principal da empresa.
Quais são os principais desafios em compliance e como superá-los?
O maior desafio é conciliar múltiplos interesses: cumprir regras sem travar a
inovação. Implementar controles eficazes exige adaptar recomendações à cultura
de cada empresa. Outro ponto crítico é a gestão de expectativas – nem sempre
todas as áreas compreendem a urgência de algumas adaptações. Superar essas
barreiras demanda negociação, exemplos concretos e, principalmente, formação de
confiança mútua entre consultor e clientes.
Qual a importância do acompanhamento regulatório para empresas?
Acompanhar o ambiente regulatório é uma maratona. Mudanças podem ser discretas,
mas têm efeito cascata. Por isso, manter canais de informação abertos com
entidades reguladoras e promover ciclos de atualização periódica dentro das
empresas tornam-se rotinas indispensáveis. A antecipação, baseada em análise de
tendências e casos internacionais, ajuda a evitar surpresas e prepara as equipas
para agir rapidamente.
Como a diversificação de riscos se conecta ao trabalho de compliance?
A diversificação de riscos é pilar em compliance, pois reduz dependências e
previne impactos amplos de falhas isoladas. No dia a dia, isso se traduz em
revisão frequente de fornecedores, distribuição de responsabilidades e testes
regulares dos controles internos. Empresas que diversificam conseguem reagir
melhor a eventos inesperados, mantendo a conformidade mesmo sob pressão.
Que conselho daria para quem está entrando na área de compliance?
O principal aprendizado é que compliance não é obstáculo, mas catalisador de
inovação sustentável. Regras bem implementadas criam confiança e abrem espaço
para decisões mais ousadas, desde que fundamentadas em análises sólidas e
estruturas resilientes. O futuro da área está em integrar compliance à
estratégia central das empresas, tornando-o parte da cultura e não apenas um
requisito externo.
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